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Passamos a vida à caça da Vida profunda, ou a ser por ela caçados. Parece inevitável que o derradeiro embate se dê mais tarde ou mais cedo, não parece? É válido perguntar se vale a pena tentar precipitar esse encontro, se é de facto mais precipitação que convite. Pessoalmente, prefiro pensar na adopção de uma prática diária como uma forma de endereçar esse convite ao Awen, a todos os seres, ao mundo inteiro, para que, im-portados vezes sem conta, me passem a importar deveras. Para que eu transforme a caça numa dança em que ambas as partes se seduzem. Para que eu entenda a Grande Canção pelo diapasão da empatia.

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A Natureza, manifesta dentro e fora do nosso corpo, em todas as paisagens e sociedades, inicia-nos vez após vez, dia após dia, através dos sentidos que nos colocam em contacto com ela. É por toda a experiência humana ser uma iniciação contínua que entendo que tudo o que o corpo nos comunica é sagrado, isto é, capaz de nos mergulhar na Vida profunda.

Mas esta iniciação acontece em dois movimentos, ambos necessários e insubstituíveis. Estando nós plenamente incarnados — e é proveitoso que assim seja numa via que se diga telúrica — a nossa iniciação sobretudo acontece-nos; apanha-nos de surpresa. Se nos mantivéssemos em constante modo de busca, provavelmente interromperíamos o processo de forma precoce. Ocasionalmente, porém, precisamos de inverter o seu sentido. Nos momentos em que Cerridwen não nos persegue de forma tão intensa, somos nós que vamos ao seu encontro, e convidamos o Awen a apressar-se na sua visita.

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Sobre as nossas cabeças, o Céu. À nossa volta, o Mar. E a Terra sob os nossos pés. Ao centro, o Fogo, as Águas, a Árvore dos Mundos.

Tentar sobrepor a este diagrama-base os quatro elementos aristotélicos, com ou sem a adenda do quinto elemento do Espírito, resulta tão bem ou tão mal como se fizéssemos o mesmo com os modelos egípcio, taoísta ou hindu. O que não invalida o interessante trabalho que tem sido feito com os conceitos de terra, água, ar e fogo, patente em várias tradições telúricas modernas, incluindo algumas vertentes do druidismo.

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As cosmologias recordam-nos — e ao recordar-nos, alimentam-se — da verdadeira ordem do Mundo. E numa perspectiva celta, como parece ser aliás a da generalidade das culturas indo-europeias e algumas outras mediterrâneas, descrever a realidade é até bastante simples:

– Como explicar o Mundo?
– Três.

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E se a Canção do Mundo nos coloca no mesmo patamar que todos os demais seres, capazes de construir ou causar dano e viver as consequências nos seus respectivos mundos, quais as fronteiras dessa tal de “Natureza”?

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